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COMO NASCE O CLUBE !...

Nos fins do século XIX a Nação vivia momentos difíceis da sua existência. O Ultramar era cobiçado pelos países mais poderosos e a Europa convencera-se que a África poderia ser seu complemento natural, multiplicando-se os maiores atropelos às soberanias tradicionais e deparando-se a Marinha com diversificadas missões, onde escasseavam os meios para o seu cumprimento.

É após a separação do Brasil e as lutas internas ideológicas que se seguiram à revolução liberal, e com o país depauperado economicamente e já apresentando uma pobreza permanente, e no surgimento da revolução industrial, que a Marinha através de figuras proeminentes e cientes das dificuldades humanas para abarcar todas as missões, que vai contribuir para o surgimento do Clube Militar Naval.

No dia 8 de Setembro de 1866 realizou-se a primeira reunião de oficiais com o fim de discutir o problema das promoções por escolha, que na altura se apresentava como inovadora. Presidiu a essa reunião o Contra-Almirante Joaquim Pedro Celestino Soares que, comovido pelo nobre sentido de camaradagem, apresentou à Assembleia, “com o fim de agrupar os camaradas” um projecto de estatuto, para uma associação, grupo ou entidade colectiva, que sendo composta só por oficiais da Marinha, reunidos em torno de um projecto chamado Ritmo Espontâneo de Ideias Navais, ou simplesmente Ritmo Marítimo.

Da ideia à consumação de tal projecto muito se discutiu e várias reuniões foram efectuadas em casas de uns e outros, juntando-se as conversas nos corredores do Ministério/Casa da Balança, nas embarcações, a bordo dos navios, nos cafés e em todos os locais da aprazível e liberal Lisboa.

Lançados assim os primeiros alicerces o Clube vai surgir com a aprovação dos seus Estatutos por decreto no dia 15 de Novembro de 1866, assinado pelo Ministro Visconde da Praia Grande. Alguns dias depois (24 de Nov.1866), efectua-se a primeira grande assembleia no Palácio do Conde de Almada (hoje Palácio da Independência), tendo assistido à sessão o Vice-Almirante António Ricardo Graça, que presidiu provisoriamente à sessão.

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